O CANTO DA TORCIDA
Leandro A. Rodrigues
Para quem não sabe, sou pai de gêmeos. Tenho dois meninos de 11 anos: Vinícius e Rafael. Como grande apaixonado por futebol, desde os tempos de infância, tive um sonho e um medo. O sonho era transmitir aos meus filhos o amor que tenho pelo Vasco da Gama. O medo era que eles não torcessem para o Gigante da Colina. Graças a Deus, o sonho realizou-se, e o medo não se concretizou, pois ambos são cruz-maltinos!
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Quando saíram da maternidade, no dia 06 de março de 2009, fazia muito calor na Região Serrana do Rio de Janeiro, mais precisamente em Petrópolis. Vini e Fael, então, foram para casa devidamente uniformizados, cada qual com um body do Vascão. Desde aquele momento, o contato deles com o futebol e com o Vasco foi algo constante, afinal, o Gigante faz parte da nossa rotina.
Em 2011, no dia 01 de outubro, eles foram pela primeira vez a São Januário. Fomos visitar o estádio e assistimos a um treino do time, exatamente, na véspera do importante jogo contra o Corinthians (com quem o Vasco disputou o título, naquele ano, até a última rodada). Eles tinham dois anos de idade. Tiraram foto com o Fernando Prass, viram o Dedé, o Éder Luís, o Alan e muitos outros jogadores. Menos de dois anos depois, em junho de 2013, foram ao Maracanã pela primeira vez. Assistimos à Itália vencer ao México por dois a um na Copa das Confederações. No entanto, a grande data para eles, sem dúvida alguma, foi o dia 20 de setembro de 2014, quando os levei pela primeira vez a São Januário para assistirem a um jogo do clube do coração. Eles tinham um pouco mais do que cinco anos. Na ocasião, o Vasco estava na série B e duelou contra o Náutico. Como eles eram bem pequenos, ainda em casa, antes de comprarmos os ingressos, falei com eles que seria bom que nos sentássemos nas sociais, para que nada atrapalhasse a visão deles, ou seja, para que
eles pudessem ver o jogo em plenitude. Instantaneamente, o Fael, o nosso caçula por três minutos, protestou, dizendo que nas sociais a torcida não cantava. Em seguida, emendou algo muito maduro para uma criança de cinco anos de idade: “Pai, quero sentir o canto da torcida!”. Aquela frase arrepiou-me (como me arrepia até agora) e não houve argumento que o fizesse mudar de ideia.
Chegamos, como de costume, mais cedo ao Estádio. Colocamo-nos nos degraus iniciais das arquibancadas, bem abaixo das cabines de transmissão. O público pagante, naquele jogo, foi de 10.291, ou seja, não estava completamente lotado; todavia, o inevitável aconteceu. Aos poucos, a arquibancada foi sendo ocupada, e os meus gêmeos começaram a ter dificuldade de observar o gramado em sua plenitude. Foi aí, neste momento, que a nossa torcida deu mostras do quanto é singular. Quando o Vini me disse que não estava conseguindo ver o campo, o vascaíno, que estava a nossa frente, ouviu. Contei a ele sobre o motivo pelo qual estávamos nas arquibancadas e não nas sociais. Em seguida, ele fez uma exortação aos torcedores que estavam ao nosso redor e TODOS, durante os 90 minutos, abriram um clarão para que o Vini e o Fael pudessem ver com tranquilidade o jogo do nosso Gigante. Fiquei completamente emocionado com a atitude e, quando o Vasco, aos 42 minutos do segundo tempo, virou o jogo, com gol de Kléber (o Gladiador), a torcida explodiu em um canto uníssono. E, com os olhos marejados, sem que eles percebessem, desviei a atenção do campo e pude ver meus filhos não apenas “sentindo o canto da torcida”, mas, na verdade, tive o prazer de vê-los entoarem, com uma alegria inenarrável, o canto COM a torcida. Naquele momento, presenciei a concretização do meu sonho: o amor, que havia sido semeado, agora, dava frutos.
O torcedor, que conseguira abrir o clarão junto à torcida, olhou para os meus dois pequenos e, vendo a alegria deles, sorriu. Em seguida, olhou para mim. Apenas disse para ele: obrigado! Ele, com naturalidade, sorriu e disse: “Que isso! Aqui é Vasco, irmão!”.
Saudações Vascaínas!






