O Vasco da Gama vive um momento decisivo em relação ao seu maior patrimônio. O projeto de reforma e modernização de São Januário, sonho antigo da torcida, está na pauta do dia, mas a diretoria enfrenta um dilema estratégico e simbólico sobre o cronograma das obras. Existe uma discussão interna robusta sobre a possibilidade de postergar o fechamento do estádio para 2027, ano em que a Colina Histórica completará seu centenário.
A ideia debatida nos bastidores é realizar uma grande festa e um “jogo de despedida” para celebrar os 100 anos da inauguração oficial (abril de 1927) antes de fechar os portões para a entrada das máquinas. Seria um marco histórico, unindo o passado de glórias à projeção de um futuro moderno.
No entanto, essa vontade esbarra na realidade financeira e burocrática. A assinatura da venda do potencial construtivo é o fiel da balança que pode acelerar ou frear esse desejo. Para que o torcedor compreenda os cenários, detalhamos abaixo como o clube avalia os prazos e o que está em jogo na reforma da sua casa.
+ Reforma de São Januário: venda do potencial construtivo adia início das obras
Vasco avalia adiar fechamento para celebrar centenário em 2027
A discussão trazida inicialmente pelo jornalista Lucas Pedrosa aponta para um desejo institucional de respeitar a celebração. Fechar São Januário em 2026 significaria passar o ano do centenário com o estádio em obras ou demolido, o que tiraria o simbolismo da data. A corrente interna que defende essa tese propõe que o estádio permaneça ativo durante toda a temporada de 2026 e o início de 2027.
O plano culminaria em um evento grandioso em abril de 2027, marcando exatos 100 anos da construção erguida pelo suor e dinheiro dos torcedores. Após esse “último ato” do estádio em sua configuração atual, as obras de modernização seriam iniciadas imediatamente, transformando a despedida em uma passagem de bastão para a nova arena.
Potencial construtivo dita o ritmo das obras e pode antecipar início
Apesar do apelo emocional do centenário, o pragmatismo financeiro pode falar mais alto. O Vasco depende da venda do potencial construtivo — mecanismo legal aprovado pela Prefeitura do Rio que permite ao clube vender direitos de construção em outras áreas da cidade para financiar a reforma — para tirar o projeto do papel.
Se a assinatura dos contratos de venda do potencial construtivo acontecer de forma célere ainda neste início de 2026, a pressão para o início imediato das obras aumentará. Manter o dinheiro em caixa e o projeto parado por um ano apenas para esperar a data festiva pode ser visto como um risco financeiro, inflacionando custos de construção. Portanto, se a verba entrar, o fechamento pode, sim, ocorrer ainda neste ano, alterando os planos da festa de 100 anos.

Projeto de reforma prevê modernização e aumento de capacidade
Independentemente da data de início, o objetivo final é claro: entregar ao torcedor um estádio à altura da grandeza do Vasco. O projeto de reforma prevê a ampliação da capacidade para cerca de 57 mil espectadores, modernização das áreas de hospitalidade, acessibilidade e preservação da fachada histórica, que é tombada pelo patrimônio.
A reforma de São Januário não é apenas uma obra civil, mas uma requalificação de todo o entorno da Barreira do Vasco. A decisão sobre o cronograma, seja iniciando agora ou em 2027, levará em conta não apenas o aspecto festivo, mas a viabilidade de entregar o estádio pronto o mais rápido possível para a torcida.
Estratégia busca conciliar obras e datas históricas
A diretoria do Vasco trabalha, então, com dois cronogramas. O “Plano A” seria conciliar a entrada dos recursos com a manutenção do estádio aberto até o centenário, realizando obras periféricas que não impeçam os jogos. O “Plano B” é o fechamento imediato pós-assinatura, priorizando a entrega da nova arena.
A decisão final deve ser tomada nos próximos meses, à medida que as negociações do potencial construtivo avancem. O certo é que São Januário passará pela maior transformação de sua história, e o clube tenta garantir que o rito de passagem seja tão memorável quanto o próprio estádio.

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