O processo de venda do controle da Vasco da Gama SAF ganhou um elemento de forte concorrência e mistério nos bastidores institucionais. De acordo com as informações apuradas e reveladas pelo jornalista Fábio Azevedo, o clube carioca não negocia a sua reestruturação apenas com um nome conhecido, mas possui um segundo investidor disputando ativamente a compra do futebol cruzmaltino. As tratativas com esse interessado, que é mantido em sigilo absoluto, ocorrem em condições financeiras muito semelhantes às da proposta principal que já se tornou pública no mercado.
A identidade oculta desse segundo concorrente eleva as expectativas sobre o desfecho da operação, que segue sem um prazo definitivo para ser oficializada. O trâmite burocrático de transição exige o cumprimento de seis etapas formais. Até o momento, três delas já foram superadas pelas partes. O caminho restante inclui a definição final do valuation (o valor de mercado da empresa), a aprovação interna do conselho administrativo, a validação pelo Conselho Deliberativo e a votação dos sócios em uma Assembleia Geral Extraordinária. Devido a essa exigência rigorosa, a gestão avalia que o negócio dificilmente será fechado até o fim de abril ou início de maio.
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A disputa com o investidor conhecido
Do outro lado da mesa de negociações da Vasco SAF está Marco Lamacchia, o principal nome que teve a sua identidade confirmada na disputa. O empresário é o atual CEO e fundador da gestora financeira Blue Star, acumulando longa experiência no setor bancário e uma passagem como diretor da Crefisa. Ele é filho de José Roberto Lamacchia, dono da própria instituição de crédito e marido da presidente do Palmeiras, a empresária Leila Pereira.
As conversas lideradas pelo executivo, que agora divide as atenções com o investidor oculto, indicam um projeto altamente robusto. A proposta acena com um investimento superior a R$ 2 bilhões, valor que seria injetado no departamento de futebol ao longo de cinco anos. O modelo de negócio apresentado prevê a aquisição de uma fatia majoritária que pode variar entre 70% e 90% das ações, deixando a associação civil com uma participação minoritária.

A divisão acionária e as travas jurídicas na Vasco SAF
Independentemente de qual investidor vença a corrida pela compra da Vasco SAF, os compradores precisarão resolver entraves jurídicos complexos em São Januário. O valuation da companhia ainda não está definido pelas partes envolvidas. Além disso, a atual estrutura societária é fragmentada e alvo de impasses.
Hoje, 30% das ações pertencem à associação, enquanto 31% estavam vinculados à antiga administração da 777 Partners e agora respondem aos credores da empresa norte-americana. A maior fatia, correspondente a 39%, encontra-se bloqueada e em discussão direta em um processo de arbitragem, exigindo uma solução legal pacificada antes da assinatura de qualquer contrato definitivo de venda.
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