A diretoria do Vasco e os representantes do empresário Marcos Lamacchia avançaram nas negociações para a venda da SAF nesta quarta-feira (11). Segundo informações publicadas pelo canal Colina 1927, as partes já trocam minutas para a negociação de 90% do controle do departamento de futebol. O acordo visa garantir o pagamento da recuperação judicial e estabelecer investimentos pesados para a equipe.
Apesar do otimismo sobre um desfecho em poucas semanas, o processo exige cautela. O negócio precisa passar pela aprovação dos conselhos do clube e encontrar uma solução definitiva para a fatia acionária controlada hoje pela A-CAP, empresa que assumiu os ativos da 777 Partners. Além disso, o presidente Pedrinho e o grupo político G8 debatem internamente a real necessidade da venda neste momento, visto que a reestruturação em curso já permite um fôlego financeiro independente.
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Os três pilares fundamentais para a venda da Vasco SAF
O clube estabeleceu três pilares básicos para sacramentar a venda. O primeiro exige que o comprador assuma toda a dívida cruzmaltina, que atinge pelo menos R$ 1 bilhão. Esse montante bilionário inclui os passivos da recuperação judicial e os débitos tributários discutidos ativamente com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). O segundo pilar foca na competitividade em campo, cobrando aportes significativos em reforços e estipulando multas pecuniárias em caso de mau desempenho esportivo.
O terceiro pilar da negociação envolve diretamente a infraestrutura da instituição. A diretoria exige investimentos pesados para equipar o centro de treinamento, atendendo tanto a equipe profissional quanto as categorias de base com uma estrutura de ponta. As partes também debatem o reaproveitamento do dinheiro de venda de jogadores, com o objetivo de criar um fundo exclusivo para a contratação contínua de novos atletas.

O desafio do fair play financeiro
O avanço contratual esbarra nas regras da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF), órgão criado pela CBF para fiscalizar o fair play financeiro no Brasil. O artigo 86 proíbe que investidores tenham influência significativa em mais de uma equipe. Como o comprador é filho de Leila Pereira, presidente do Palmeiras, o presidente da agência, Caio Resende, afirmou ao portal ge que o caso passará por uma análise rigorosa:]
“O que a gente percebe lá fora é que a análise desse tipo de caso pode se tornar muito complicada. É uma análise que a estrutura societária de cada clube, de que pessoas ou que grupos têm de fato poder decisório dentro de cada clube.”
Para evitar um veto oficial da entidade, o advogado André Sica estuda a implementação de um “blind trust”, mecanismo que transfere os ativos para um administrador independente e suspende o direito a voto do empresário. O fundador da Blue Star e ex-diretor da Crefisa acompanha o processo de perto, enquanto o departamento jurídico tenta recuperar os 39% das ações que estão travados em arbitragem. O quadro societário atual aponta que a associação detém 30%, e a gestora estrangeira possui 31%.

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