Parecer de quatro páginas incluído no balanço de 2025 aponta deterioração financeira, falta de transparência nas contratações e caso envolvendo presidente da Assembleia Geral do Vasco
O balanço financeiro do Vasco da Gama SAF referente ao exercício de 2025, divulgado na noite de quinta-feira, traz um documento que vai além dos números: quatro páginas de parecer assinado pelos três integrantes do Conselho Fiscal da SAF com questionamentos graves sobre a governança do clube. A informação é do Globo Esporte, confirmada pelo Papo na Colina.
“Deterioração relevante” e lucro que, na prática, seria prejuízo
O Conselho Fiscal, presidido por Marco Norci Schoreder e integrado também por Carlos Antonio Rodrigues Jorge e David Tavares Nunes, afirma que houve “deterioração relevante da situação econômico-financeira” da SAF ao longo de 2025.
O documento vai além e expõe um dado que o balanço não destaca: sem os efeitos contábeis do Plano de Recuperação Judicial, o Vasco teria registrado prejuízo de R$ 232 milhões em 2025 — não lucro de R$ 81 milhões.
📲 Receba as notícias do Vasco direto no WhatsApp! Entre no canal do Papo na Colina
Histórico de perdas desde a criação da SAF
O parecer reforça que a SAF nunca registrou lucro operacional real desde sua constituição. Os resultados entre 2022 e 2024 foram prejuízos de R$ 88 milhões, R$ 123 milhões e R$ 114 milhões, respectivamente. O Conselho Fiscal ainda aponta “incertezas relevantes quanto à capacidade de execução do Plano de Recuperação Judicial” e preocupação com a “carência de evidências quanto à regular observância dos ritos formais de governança corporativa”.
+ De rivais a possíveis aliados: Pedrinho e Leven Siano se aproximam no Vasco
R$ 100 milhões em contratações questionados
Um dos pontos centrais do parecer é o investimento aproximado de R$ 100 milhões em contratações de atletas realizado em 2026, em meio ao processo de recuperação judicial. O Conselho Fiscal classifica as aquisições como, “em princípio, desalinhadas” com a necessidade de preservação de liquidez e reequilíbrio financeiro do clube.
O órgão critica ainda o “limitado nível de transparência e reporte às instâncias de governança” no processo de contratações, apontando que as informações ficam “concentradas em um grupo restrito de pessoas”. O documento recomenda a adoção de limites de alçada, caráter colegiado nas decisões e a apresentação de justificativas econômicas — inclusive com parâmetros de mercado para embasar os valores pagos pelos jogadores.
O Conselho Fiscal registra que não foi sistematicamente consultado sobre essas operações, sendo informado apenas em casos pontuais — como as transações envolvendo João Victor em 2025 e Rayan em 2026.
Conflito de interesses: o caso Alan Belaciano
O segundo grande tema do parecer remete a um caso que já havia gerado ruído entre sócios do Vasco em janeiro de 2025. O Conselho Fiscal cobra apuração sobre possível conflito de interesses envolvendo Alan Belaciano, presidente da Assembleia Geral do clube (CRVG).
Antes de assumir o cargo, Belaciano atuou como advogado de jogadores que processaram o Vasco, venceram as ações e se tornaram credores da Classe 1 no processo de recuperação judicial — exatamente a classe em que ele teria atuado como negociador do clube.
O que diz o parecer
O documento afirma que o Conselho Fiscal não teve acesso a apurações sobre “eventual participação de membros do CRVG com credores” e que o caso foi discutido em reunião do órgão em 18 de fevereiro de 2025.
Na época, Belaciano afirmou que jamais atuara como advogado do Vasco e que não participara da elaboração ou negociação de acordos com credores. O vice-jurídico Felipe Carregal também negou conflito de interesses em entrevista ao canal Expresso 1923: segundo ele, Belaciano atuou apenas como consultor, sem poder de decisão.
O caso Max e os sete processos questionados
O parecer menciona ainda sete casos que o Vasco tenta impugnar na recuperação judicial, alegando cobranças indevidas que somam R$ 10,8 milhões. Um deles envolve o ex-lateral Max, representado por Moisés Gleicher — advogado que assumiu processos anteriormente conduzidos por Belaciano. O Vasco alega má-fé e tentativa de induzir a Justiça a erro. A juíza responsável pelo processo determinou manifestações da Administração Judicial e do Ministério Público diante da “gravidade dos fatos apontados”.
O caso surpreendeu integrantes da própria SempreVasco, grupo político de Pedrinho que havia defendido Alan Belaciano em ocasiões anteriores.
A resposta do Vasco
Consultado pelo Globo Esporte, o clube respondeu que trata o assunto “como superado”, afirmando que todas as tratativas com credores foram conduzidas pela Alvarez & Marsal e por escritórios especializados terceirizados durante a implantação da recuperação judicial.
+ Siga as redes sociais do Papo na Colina: Thread, Bluesky, Twitter, Facebook, Instagram, Youtube, Tiktok e Google News.






