O empate do Vasco por 2 a 2 com o Independiente Medellín, em território colombiano, serviu como um diagnóstico claro e incômodo do tamanho do desafio que o técnico Pedro Emanuel tem pela frente. Em apenas sua segunda partida oficial no comando do clube, o treinador português se deparou com uma herança maldita que assombra a equipe há temporadas: a incapacidade de transformar o volume de jogo em vitória devido a uma sucessão de erros defensivos crônicos. A equipe carioca foi superior em boa parte do duelo válido pelos playoffs da Copa Sul-Americana, mas acabou punida por falhas individuais que custaram caro.
A principal novidade tática desenhada pela nova comissão técnica foi a sustentação do miolo ofensivo. Ao optar por posicionar Brenner e Nuno Moreira por dentro, o comandante conseguiu criar um ataque mais móvel e associativo, com os dois jogadores se movimentando para abrir o corredor para os lados do campo. Essa dinâmica fez o setor de frente funcionar melhor do que em partidas anteriores, mas esbarrou em um teto técnico claro, já que pontas como Adson e Andrés Gómez têm características de armação e não são finalizadores natos, o que acabou minando a eficácia do time nos metros finais.
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Desabafo e cobrança no Vasco
A fragilidade da retaguarda ficou evidente no primeiro gol dos donos da casa, originado em um lance onde Puma Rodríguez caiu em um corta-luz, Cuesta não alcançou a jogada e Robert Renan falhou na cobertura. Mesmo com o gol contra de Joaquín Varela no início da etapa complementar, o Vasco sofreu uma queda física acentuada e permitiu o segundo gol do rival, anotado por Montaño. As entradas de Johan Rojas e Marino Hinestroza pouco acrescentaram no país natal da dupla, e o prejuízo só foi evitado na base do abafa, quando Cuiabano acertou cruzamento na medida para Spinelli garantir o empate heróico.
Pedro Emanuel não escondeu o incômodo com a repetição desses apagões defensivos em momentos cruciais e cobrou uma mudança drástica de postura dos atletas no dia a dia:
“Depois, novamente, há aquilo de que toda a gente fala. O erro faz parte do futebol, mas precisamos ter uma mentalidade diferente na forma como defendemos o nosso gol, principalmente nos minutos finais de cada tempo. São momentos importantes e que podem marcar o nosso desempenho no restante da partida. Felizmente, a equipe entrou bem e, no segundo tempo, também fez o gol, que nos animou e nos motivou.”
Carências e a busca por reforços
Além da nítida necessidade de recondicionamento físico do plantel, a análise tática das duas primeiras apresentações do comandante lusitano escancara a urgência de movimentação da diretoria do Vasco no mercado de transferências. O diretor de futebol Admar Lopes precisa acelerar a busca por peças dominantes, sendo prioritária a chegada de um zagueiro de área, um meio-campista de maior intensidade e um atacante de lado com capacidade de definição. O elenco se reapresentou há mais de um mês e a ausência de caras novas limita o potencial de evolução coletiva.
O resultado obtido em Medellín foi considerado justo pelo volume criado, mantendo o confronto aberto para ser decidido com o apoio da torcida em São Januário na próxima semana. Antes do compromisso internacional, o Vasco foca as atenções no duelo deste sábado contra o Mirassol, válido pelo Campeonato Brasileiro. O grande objetivo da comissão técnica no curto prazo é estancar as falhas defensivas imediatas para afastar o clube da zona de rebaixamento e dar sustentabilidade para o time avançar nos mata-mata.

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