A disputa pelo controle do Vasco ganhou nesta segunda-feira (27) um capítulo explosivo. A 777 Carioca protocolou uma interpelação judicial contra a Almirante Participações, empresa que assinou o acordo para adquirir a nova SAF do clube. A informação é do canal Colina 1927.
Na prática, o grupo americano parte para cima do comprador e tenta minar a operação que destravaria a reestruturação do Cruz-Maltino. É a escalada mais recente de uma queda de braço que já se arrasta nos tribunais e no juízo arbitral.
O que a 777 alega no documento
No documento, a 777 afirma ser proprietária de 70% das ações da Vasco SAF e sustenta que a operação da nova SAF — com a transferência dos ativos para uma nova sociedade e posterior venda de 90% das ações via UPI Equity — esvaziaria o patrimônio da atual SAF e violaria seus direitos como acionista.
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A empresa vai além e faz uma ameaça formal: caso a Almirante prossiga com a operação, mesmo após ser cientificada do litígio societário e arbitral em curso, adotará todas as medidas judiciais cabíveis para impedir o negócio, invalidar eventuais atos e buscar responsabilização pelos prejuízos causados. Vale reforçar que se trata de alegações da 777 em uma peça jurídica — ou seja, a versão de uma das partes, ainda sem apreciação definitiva da Justiça.
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Entenda o que está em jogo no Vasco
Para dimensionar o tamanho do embate, é preciso lembrar como a venda foi desenhada. O Vasco está em recuperação judicial, e o plano homologado pela Justiça criou a chamada UPI Equity — um mecanismo que permite vender as ações da nova SAF livres de dívidas e passivos, mediante autorização judicial. O processo corre na 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro.
A queda de braço em resumo
- 777 Partners: atual controladora; afirma deter 70% da Vasco SAF
- Almirante Participações: empresa de Marcos Lamacchia, compradora da nova SAF
- UPI Equity: mecanismo da recuperação judicial que vende 90% da nova SAF sem dívidas
- O movimento de hoje: interpelação judicial da 777 contra a Almirante (27/07)
- O que a 777 quer: impedir a operação e responsabilizar por prejuízos
A Almirante, comandada por Marcos Lamacchia, entrou no processo como investidora âncora (o chamado stalking horse), com direito de preferência para cobrir eventuais propostas concorrentes. A operação envolve aportes que podem superar os R$ 2 bilhões ao longo dos próximos anos — e é justamente esse arranjo que a 777 agora tenta emperrar.
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O que é uma interpelação judicial
Em termos simples, a interpelação judicial é um instrumento formal usado para notificar oficialmente a outra parte sobre uma situação e registrar essa ciência nos autos. Ela costuma funcionar como um aviso prévio: deixa claro que, dali em diante, o interpelado não poderá alegar desconhecimento do litígio. No caso, a 777 quer que a Almirante não avance “de boa-fé”, criando terreno para futuras ações caso o negócio siga em frente.
Próximos capítulos
O movimento adiciona mais uma camada de incerteza jurídica a um processo que o Vasco tenta blindar há meses. De um lado, o clube e a Almirante trabalham para concluir a operação dentro do prazo previsto. Do outro, a 777 sinaliza que não vai deixar a venda acontecer sem resistência.
A expectativa agora se volta para a reação da Almirante e para as próximas decisões da Justiça, que dirão se a interpelação terá força para alterar o rumo do negócio — ou se ficará apenas como mais um lance nessa longa e tensa novela societária. Seguiremos acompanhando.
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