O Vasco da Gama tem sua história diretamente ligada a momentos marcantes do país, e um dos principais aconteceu há 85 anos. Em 1º de maio de 1941, o então presidente Getúlio Vargas utilizou a tribuna de São Januário para anunciar a instalação da Justiça do Trabalho no Brasil, durante as comemorações do Dia do Trabalho.
Naquele período, especialmente entre as décadas de 1940 e 1950, o estádio vascaíno era o principal palco das celebrações oficiais da data. Vargas frequentemente utilizava o local para anunciar medidas voltadas à legislação trabalhista e à proteção dos trabalhadores.
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Discurso histórico e marco trabalhista
Durante o pronunciamento em São Januário, Getúlio Vargas destacou o papel da nova instituição dentro do cenário nacional. Em seu discurso, o presidente definiu a função da Justiça do Trabalho:
“A Justiça do Trabalho, que declaro instalada neste histórico Primeiro de Maio, tem essa missão. Cumpre-lhe defender de todos os perigos a nossa modelar legislação social-trabalhista, aprimorá-la pela jurisprudência coerente e pela retidão e firmeza das sentenças”.
O anúncio consolidou um dos pilares da estrutura trabalhista brasileira, reforçando o papel do Estado na mediação de conflitos entre empregadores e trabalhadores.
No ano anterior, em 1940, a própria Colina Histórica já havia sido palco de outro marco: a criação do salário mínimo, também anunciada por Vargas durante as celebrações do Dia do Trabalho.

Esclarecimento histórico sobre a CLT
Apesar da forte ligação entre o estádio e os avanços trabalhistas da época, há um equívoco recorrente sobre a promulgação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Ao contrário do que muitas vezes é divulgado, o decreto não foi assinado em São Januário.
Em 1º de maio de 1943, Vargas não esteve no estádio. A cerimônia oficial ocorreu na Esplanada do Castelo, no centro do Rio de Janeiro, próximo ao Ministério do Trabalho. Registros de jornais da época, como Jornal do Brasil, Correio da Manhã e Diário Carioca, não indicam presença do presidente na Colina naquela data.
Parte da confusão se deve a um vídeo amplamente divulgado, que por anos foi associado a 1943, mas que na verdade corresponde a um discurso realizado em 1945, também no estádio vascaíno.
Linha do tempo e relação com São Januário
Ao longo dos anos, Getúlio Vargas participou de cinco celebrações de 1º de maio em São Januário: 1940, 1941, 1945, 1951 e 1952. Mesmo após a inauguração do Maracanã, em 1950, o estádio do Vasco continuou sendo utilizado como palco dessas solenidades.
Além do aspecto esportivo, o local se consolidou como espaço simbólico de decisões políticas e sociais relevantes para o país, reforçando a importância histórica de São Januário além do futebol.
| Ano | Local | Descrição |
|---|---|---|
| 1938 | Palácio Guanabara | Sem evento popular. Decreto-lei que previa a criação do salário mínimo. |
| 1939 | Esplanada do Castelo | Evento próximo ao Ministério do Trabalho. |
| 1940 | São Januário | Criação do salário mínimo anunciada por Getúlio Vargas. |
| 1941 | São Januário | Instalação da Justiça do Trabalho. |
| 1942 | São Januário | Evento sem a presença de Vargas devido a acidente de carro. |
| 1943 | Esplanada do Castelo | Sancionada a CLT. Evento amplamente coberto pela imprensa. |
| 1944 | Pacaembu (SP) | Solenidade realizada em São Paulo. |
| 1945 | São Januário | Evento com registro em vídeo (frequentemente confundido com 1943). |
| 1946–1950 | — | Período fora da presidência. |
| 1951 | São Januário | Evento com registro em vídeo. |
| 1952 | São Januário | Solenidade do Dia do Trabalho. |
| 1953 | CSN (Volta Redonda) | Evento na Companhia Siderúrgica Nacional. |
| 1954 | — | Sem registro. Getúlio Vargas faleceu em 24 de agosto de 1954. |
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