O futebol brasileiro vive uma nova era administrativa e o Vasco tem se destacado ao adotar a cultura do Player Care. Essa prática, já consolidada e obrigatória no exigente mercado europeu, visa dar suporte total aos atletas e seus parentes nas questões de fora do campo. O clube carioca integra o grupo nacional de pioneiros que conta com esse departamento, ao lado de Cruzeiro, Bahia, Coritiba, Atlético-MG, Bragantino, Santos e Botafogo.
A criação oficial desse setor em São Januário ocorreu recentemente, sendo inaugurado durante a curta gestão do executivo Pedro Martins, entre maio e julho de 2024. Desde então, o projeto se provou um imenso sucesso interno, e o presidente Pedrinho fez questão de não apenas manter, mas ampliar toda a estrutura em benefício do elenco profissional.
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A estruturação do Player Care no Vasco
No clube de São Januário, essa importante iniciativa ganhou tração e foi bastante ampliada durante a atual gestão do presidente Pedrinho. O projeto foi metodicamente estruturado por Leandro Amorim, ex-coordenador da área no Gigante da Colina. Ele costumava atuar próximo aos jogadores e era o encarregado de recepcionar reforços, como o argentino Spinelli, nos aeroportos.
O especialista foi o responsável por ministrar a primeira aula sobre o assunto na CBF Academy e fez questão de ressaltar a relevância financeira desse cuidado extra com contratações milionárias:
“Eu quero que os clubes tenham consciência disso. Que as diretorias entendam: o cuidado com o atleta é fundamental. A gente paga muito dinheiro nesses caras, é muito dinheiro em jogo. O mínimo possível é um cuidado extra, nada demais. Para o clube é uma coisa irrisória.”
O profissional enxerga o departamento como o grande elo de ligação entre as diversas necessidades do dia a dia:
“O Player Care é um microrganismo ali dentro que, em conjunto, não tem como as coisas não acontecerem.”

Blindagem no vestiário e apoio vital nas emergências
Uma das prioridades absolutas do setor cruz-maltino é a blindagem psicológica nos dias de jogos. Leandro revelou como a equipe atuava para evitar distrações:
“Acabou a preleção, geralmente o atleta fica com o celular na mão. Uma das coisas que a gente definiu era ‘qualquer problema, liga para o Player Care’. Isso não pode chegar no atleta. Tudo que acontecia de problema externo a ideia era não chegar no atleta.”
O ex-coordenador vascaíno exemplificou o rigor desse bloqueio de informações antes de a bola rolar:
“Fulano está vindo para o jogo e bateu o carro. Vai ligar para o atleta? Não, não vai falar nada com ele. A gente resolve, dá um jeito. No final do jogo vai conversar com ele.”

O espaço exclusivo e a conclusão do projeto
O cuidado da gestão se estende ativamente aos acompanhantes dos jogadores, que ganharam um ambiente confortável e exclusivo no ginásio anexo de São Januário. O departamento montou um espaço vip com farta alimentação, serviços de massagem e área recreativa infantil (com pula-pula e escorregador) para que as famílias aguardem os atletas com segurança e conforto após as partidas.
Esse cuidado extracampo brilha intensamente nas situações de emergência médica. Em outubro do ano passado, o zagueiro Robert Renan sofreu uma severa concussão durante o clássico contra o Flamengo no Maracanã. O departamento agiu rápido, foi ao hospital e atualizou constantemente a família do defensor.
“A gente foi passando as primeiras informações para a família de imediato, antes da TV falar alguma coisa. Depois, no dia seguinte, eles me ligaram e agradeceram muito pelo quanto eles se sentiram bem tratados e pelo nível de profissionalismo e cuidado que eles não costumam ver em outros lugares. Eles estão longe, mas se sentem seguros.”
Em resumo, o Vasco transformou o cuidado extracampo em uma ferramenta indispensável para colher grandes resultados dentro dos gramados.

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