A 777 Carioca ingressou com uma interpelação judicial para tentar impedir o empresário Marcos Lamacchia de praticar qualquer ato relacionado à compra do futebol do Vasco. Representada pelo escritório Monteiro de Castro, Setoguti Advogados, a empresa aberta no Rio de Janeiro pela estadunidense 777 Partners emitiu um alerta formal alegando que qualquer negócio envolvendo o controle da instituição pode gerar graves problemas jurídicos no futuro. A petição afirma textualmente que a antiga gestora continua sendo a legítima dona de 70% das ações da SAF, acusando a diretoria associativa de negociar os ativos ilegalmente com o comprador como se os direitos de propriedade não existissem mais.
A argumentação da empresa estrangeira baseia-se no fato de que a decisão liminar proferida pelo TJRJ (Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro) apenas suspendeu temporariamente os seus direitos políticos e econômicos, sem retirar a titularidade real dos ativos. A disputa principal pelas ações compradas em 2022 — das quais 39% estão subscritas — segue sendo discutida de forma confidencial em uma câmara de arbitragem da Fundação Getúlio Vargas, ainda sem uma decisão definitiva nos tribunais. A defesa classifica a liminar atual do futebol carioca como “precária” e acusa o clube de agir de forma precipitada ao tratar o antigo grupo investidor como sumariamente excluído do negócio.
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Notificação de má-fé e aviso formal
A interpelação judicial funciona nos bastidores como uma ferramenta de aviso formal para que o empresário não alegue desconhecimento sobre o litígio em futuras ações de cobrança. O pedido protocolado exige que o enteado de Leila Pereira respeite integralmente o direito de propriedade da 777 Partners e interrompa tratativas que ameacem ou violem tais prerrogativas contratuais. Os advogados destacam que, uma vez formalmente notificado da ação, o comprador poderá incorrer em crime de má-fé caso decida levar adiante as reuniões políticas para selar a transferência do controle do Vasco.
A movimentação do departamento jurídico norte-americano joga um balde de água fria nos planos do presidente Pedrinho, que esperava vender as ações do futebol tão logo fosse possível e apresentar o documento oficial do MoU (Memorando de Entendimento) perante os conselheiros. O mandatário cruz-maltino lidera o processo para transferir o controle dos ativos e dar uma resposta financeira rápida à instituição. Apesar do forte embate jurídico com os antigos controladores nos tribunais, as negociações entre a diretoria vascaína e o grupo de Lamacchia continuam avançando a cada dia nos escritórios.

Histórico 777 Partners x Vasco
O atual capítulo da guerra política expõe o desgaste definitivo de uma relação institucional que começou em 2022, quando o Club de Regatas Vasco da Gama vendeu 70% do futebol para o grupo norte-americano sob a promessa de pesados aportes financeiros. No entanto, após uma série de crises financeiras globais da própria companhia estrangeira e atrasos operacionais crônicos nas parcelas acordadas, a atual gestão vascaína buscou amparo legal na Justiça do Rio de Janeiro para retomar o controle das ações. O rompimento definitivo gerou uma liminar que afastou a empresa da gestão diária da SAF, deixando o comando do futebol de volta às mãos dos dirigentes associativos de São Januário.
Essa exclusão da parceira abriu caminho para que o presidente Pedrinho iniciasse conversas diretas para repassar o comando acionário para novos parceiros com maior capacidade de investimento imediato. Como o controle administrativo da SAF foi alterado provisoriamente de forma judicial, a holding estadunidense contra-atacou nos tribunais para tentar reaver o seu patrimônio financeiro e evitar perdas cambiais antes do veredito final na câmara de arbitragem. O desfecho dessa disputa corporativa nos tribunais ditará os rumos burocráticos e a segurança jurídica da futura venda do futebol cruz-maltino.

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