O presidente do Vasco, Pedrinho, subiu o tom na briga com o consórcio do Maracanã. Logo após o Conselho Deliberativo aprovar a venda da SAF, nesta terça-feira (6), o dirigente afirmou que o clube vai defender a revisão da concessão do estádio, administrado por Flamengo e Fluminense, e revelou que o acordo para o uso do Maracanã pelo Vasco partiu do próprio presidente rubro-negro, Luiz Eduardo Baptista, o BAP.
“Me empurrando para onde eles querem que eu jogue?”
Pedrinho não escondeu a irritação com a sequência de negativas do consórcio:
“O que eles estão fazendo? Me sufocando, me empurrando para onde eles querem que eu jogue? Se o Vasco passou um período sem representatividade e isso tá incomodando, vai incomodar muito mais, inclusive com o consórcio do Maracanã, a licitação. Eu vou rever isso, pode ter certeza absoluta.”
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O presidente também rebateu a ideia de que o Vasco não teria direito de questionar a concessão por ter estádio próprio: “É por eu ter casa que eu não posso rever isso? Vou rever, sim, senhor.”
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“Não prometo título, prometo trabalho”
Pedrinho ligou a briga ao momento de reconstrução do clube, reforçado pela aprovação da venda da SAF horas antes:
“Se está incomodando o Vasco voltar ao seu trilho, e não estou falando sobre título, sobre nada disso. Estou falando sobre reestruturação institucional. Como eu já falei, eu não prometo título, não prometo vitória, eu prometo trabalho. Vou seguir incomodando.”
O bastidor do acordo com o Flamengo
O presidente também contou como surgiu o memorando de entendimento entre Vasco, Flamengo e Fluminense. Segundo ele, tudo começou quando o Vasco teria o mando de um clássico contra o Flamengo e anunciou que jogaria no Nilton Santos, onde os setores Norte e Sul são fechados em jogos contra o rubro-negro.
Pedrinho disse que avisou que Vasco x Flamengo não era o clássico mais violento, já que outros clássicos tinham esses setores abertos. Pouco depois, segundo ele, veio uma ligação informando que o presidente do Flamengo queria fazer um acordo.
O memorando prevê que todos os clássicos de 2025 e 2026 sejam disputados no Maracanã, além de quatro jogos por ano para o Vasco, fora os clássicos. Também inclui condições de mandante, como customização do vestiário, camarotes, estacionamento e ingressos.
E Pedrinho questionou: “Foi aceito só para eu fazer esse jogo no Maracanã? Nunca mais usei dos direitos que tenho no contrato. Vou continuar lutando. Pode ter certeza. Sempre que o Vasco for injustiçado num contrato.”
TJ-RJ nega novo pedido do Vasco
As declarações vieram no mesmo dia de mais uma derrota na Justiça. O desembargador Alexandre de Carvalho Mesquita, da 23ª Câmara de Direito Privado do TJ-RJ, negou o pedido de efeito suspensivo do Vasco para jogar contra o Boca Juniors no Maracanã.
O clube tentava derrubar a decisão da 2ª Vara Cível da Capital, que havia negado a tutela de urgência contra a Fla-Flu Serviços.
Para o relator, não há elementos suficientes neste momento para obrigar a concessionária a liberar o estádio. Segundo ele, o caso envolve uma controvérsia de “acentuada complexidade fático-probatória” sobre a real viabilidade do jogo no Maracanã, principalmente em relação ao gramado, ao calendário do estádio e às condições operacionais.
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Ainda há chance até sábado
A decisão foi liminar, ou seja, ainda pode mudar. O prazo final para o Vasco informar à Conmebol o estádio do jogo de volta é sábado (10).
A opção de jogar fora do Rio já não existe: nesse caso, o Vasco precisaria indicar o local até 15 dias antes da partida, e esse prazo terminou na segunda-feira (5). Com isso, as alternativas são o Maracanã, ainda em disputa, e o Nilton Santos, que depende de um acordo com o Botafogo.
O Vasco também conta com a recomendação do Ministério Público, que pediu à Fla-Flu a liberação do Maracanã e levou o caso ao Governo do Estado, apontando possível descumprimento do contrato de concessão.
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