A instauração do primeiro procedimento formal de averiguação da história da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF) não abalou o otimismo nos bastidores de São Januário e nem da Almirante Participações. Tanto a cúpula do Vasco quanto os representantes jurídicos do investidor Marcos Lamacchia receberam a notificação com naturalidade e garantem plena convicção de que a venda do controle acionário da Vasco SAF será homologada sem vetos.
A apuração do órgão regulador da CBF mira o artigo 86 do Regulamento de Sustentabilidade Financeira, que proíbe controle ou influência simultânea de uma mesma pessoa em clubes da mesma divisão — questionamento levantado por adversários devido ao fato de Marcos ser enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras até dezembro de 2027.
O corpo jurídico de Lamacchia já mantinha conversas preventivas com a agência e havia apresentado a modelagem societária do negócio. O advogado André Sica, que atua na formatação da transação, já havia reforçado a disposição do comprador em cumprir todas as exigências técnicas:
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“O Marcos tem total tranquilidade para implementar qualquer sugestão a ser proposta pela Anresf, qualquer uma. Então, dentro disso, a operação vai acontecer, é importante que se diga. Ela vai acontecer. (…) Não causa nenhum tipo de preocupação.”
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A saída prevista na regra: criação de um ‘blind trust’
O principal motivo para a tranquilidade dos dirigentes vascaínos é que o próprio regulamento da ANRESF já prevê um mecanismo oficial para afastar conflitos de interesse: o chamado blind trust (fundo cego).
Trata-se de uma estrutura jurídica na qual um fundo independente assume a gestão e o controle direto dos ativos sem que o proprietário interfira nas decisões. No caso vascaíno, essa blindagem administrativa vigoraria de forma temporária até o fim do mandato de Leila Pereira no clube paulista, esvaziando qualquer risco de veto ao investimento.

Medidas cautelares em vigor e a situação do empréstimo de R$ 150 milhões
Enquanto o procedimento tramita em sigilo — com prazo estimado de cerca de um mês para a análise técnica —, vigoram as medidas cautelares preventivas entre as partes:
- Bloqueio entre Vasco e Palmeiras: Ficam suspensas transações e empréstimos de jogadores, compartilhamento de centros de treinamento, comissões técnicas ou repasses financeiros mútuos;
- Trava em novos créditos da Crefisa: O clube não pode tomar novos empréstimos diretos da instituição financeira, como a operação de R$ 80 milhões firmada no ano passado.
A restrição, contudo, não afeta o novo financiamento DIP de R$ 150 milhões em avaliação na 4ª Vara Empresarial do TJ-RJ, uma vez que o aporte emergencial está diretamente atrelado à Almirante Participações, e não às empresas de crédito do grupo familiar.

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