Os bastidores comerciais do Vasco da Gama ganharam novas revelações de grande impacto financeiro com o posicionamento do principal fiador do projeto de transição. Em entrevista exclusiva ao portal ge, o empresário José Roberto Lamacchia, dono da Crefisa, confirmou que o memorando de entendimento para a compra de 90% das ações do futebol está assinado. O investidor de 83 anos atua como avalista do filho, Marcos Faria Lamacchia, no aporte de R$ 2 bilhões desenhado para reestruturar a instituição.
O bilionário fez questão de frisar que a validade do contrato e a permanência do grupo investidor estão estritamente vinculadas à permanência do presidente afastado no comando da associação:
“Já está firmado esse acordo, já está formado. Mas nós só vamos ficar, quando eu digo nós, é o meu filho, Marcos Faria Lamacchia. Nós só vamos ficar se o presidente for o Pedrinho. Eu sou o avalista da operação, por isso que estou me metendo. Eu estou avalizando R$ 2 bilhões do meu filho. Se bem que ele não precisa, porque ele tem esse dinheiro. Meu filho é uma pessoa limpa e independente.”
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Críticas ao racha político e câmeras de segurança
Pedrinho segue recebendo respaldo integral do dono da Crefisa, que criticou duramente os conselheiros que articularam a liminar jurídica de afastamento do ex-jogador. O empresário acusou ex-dirigentes de buscarem vantagens pessoais na mesa de negociações e revelou possuir registros internos em seu escritório para desmentir os opositores que negam envolvimento na elaboração do memorando da Vasco SAF.
O investidor disparou contra a conduta dos opositores e citou nominalmente o ex-vice jurídico como um dos responsáveis pelos entraves institucionais:
“Não muda o desejo. Obviamente que eu só vou comprar… Eu não, o meu filho só vai comprar o Vasco se o Pedrinho estiver na presidência, porque com aqueles que estão lá eu não tenho condição. O Marcos não vai querer ficar com aqueles caras. Eles ficam só querendo cargo no Vasco, chantagear as pessoas para ter cargo. O que eles fizeram com o Pedrinho foi a maior aberração que já vi na minha vida. E eles fazem tudo na encolha. Eles não têm coragem de aparecer e falar: ‘fui eu que fiz’. Eles não põem a cara, ficam sempre na encolha. É uma briga política que existe e só atrapalha o Vasco. Inclusive, eles estão dizendo que não têm nada com isso. Então, o que eles foram fazer no meu escritório? Eu tenho vídeo, na câmera do meu escritório, tem câmera para entrada e saída do pessoal. Todos eles estão nas câmeras. Eles foram lá fazer o quê? Eles foram lá tomar sorvete? Não, eles foram tratar desses assuntos e querendo benesses. Um deles é o Felipe Carregal. Nunca deu um centavo no Vasco. Sempre atrapalhando o Vasco.”
Recado ao Flamengo e ausência de conflito
Pedrinho também foi defendido por seu parceiro comercial das contestações externas sobre um suposto conflito de interesses na operação pelo fato de o comprador ser enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras. O investidor explicou que consultou pareceres jurídicos amparados na legislação e mandou um recado direto ao mandatário do rival Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, conhecido como Bap, que havia criticado as tratativas do Vasco no mercado.
O empresário rebateu as críticas de má-fé sobre as regras desportivas e mandou o rival focar em seus próprios problemas internos:
“Não existe. O Marcos é meu filho, enteado da Leila. Se você ler a lei, vê que não tem problema nenhum. Porque esse outro assunto de conflito de interesse, há três anos, se existia, existia há três anos. E não agora que eles estão falando. Por que eles não inventaram isso há três anos? É má-fé deles. Eu não dei nada por isso. Ele deveria cuidar do Flamengo. O Flamengo tem problemas também, e bastante. Ele devia cuidar do problema e não ficar dando palpite no que não é da conta dele. Eu nunca deu palpite no que não é da minha conta. E ele deveria fazer o mesmo, é um conselho que eu dou a ele. Vá tomar conta do seu clube e não enche o saco do clube dos outros.”
Leila Pereira pode assumir cargo na Vasco SAF?
Pedrinho inspira o modelo de governança focado no profissionalismo que a dupla pretende implantar na Vasco SAF, tendo como espelho a reestruturação vitoriosa feita no futebol paulista. O dono da Crefisa revelou que a esposa cumpre seus deveres de forma exclusiva no clube atual, mas abriu as portas para que ela assuma uma função executiva em São Januário após o término definitivo de seu ciclo eletivo em São Paulo.
O empresário projetou o cenário futuro de colaboração e concluiu reafirmando as cláusulas rígidas estabelecidas para blindar o clube carioca de fins especulativos:
“Claro, o que dá certo tem que ser copiado. O Marcos vai copiar isso. Aliás, o Marcos, eu tenho a impressão que ele se inspirou na Leila para comprar o Vasco. E a Leila, ainda nessa entrevista que eu citei, falou que depois que terminar o mandato dela, tem vontade de comprar outro clube. Obviamente que não vai ser o Vasco, mas ela pode assumir um cargo, quem sabe. Ela pode ajudar o Vasco. Pode ser que sim, pode ser que não, são coisas para o futuro. Mas tudo isso, claro, depois que ela terminar o mandato no Palmeiras, aí já não vai ter mais nenhum vínculo com o Palmeiras. Ela não pode participar disso porque está envolvida 200% no Palmeiras. E outra coisa, o Marcos não vai vender o clube, ele não quer negociar o clube futuramente, como muitos bancos fazem, compram o clube para depois vender. É uma filosofia de vida, porque ele gosta do futebol, quer ver o futebol, se inspirou na Leila. E ele não vai vender o Vasco. Tanto é que nesse período de impedimento que existe entre ele e o Vasco, tem uma cláusula no MOU que diz que ele não pode vender o Vasco por um período de 10 ou 20 anos. É outra visão. Não é visão de um fundo que vai comprar para negociar.”

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