O Vasco deu o passo definitivo para a sua reestruturação financeira com a publicação do edital de venda de 90% das ações da SAF pela 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro. Embora o mercado destaque o valor mínimo de R$ 650 milhões em investimentos diretos, os documentos anexados ao processo revelam que a operação total com o empresário Marcos Lamacchia soma, na verdade, pouco mais de R$ 3,1 bilhões em compromissos financeiros.
Essa bolada bilionária será dividida para atacar as três principais frentes de asfixia financeira que o clube carioca enfrenta hoje: o pagamento de dívidas urgentes, os investimentos obrigatórios no futebol e a cobertura do rombo anual de caixa. O modelo de negócio foi desenhado para dar fôlego operacional imediato e garantir a sustentabilidade da instituição a longo prazo.
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Como funciona a conta de R$ 3,1 bilhões da Vasco SAF?
O projeto apresentado por Marcos Lamacchia detalha como cada centavo desse montante bilionário será alocado para tirar o Vasco do sufoco financeiro e esportivo:
- R$ 1,5 bilhão para cobrir o déficit de caixa: Valor calculado para dar suporte financeiro por cinco anos, cobrindo a diferença entre o que o clube arrecada (R$ 500 milhões) e o que gasta de despesa anual (R$ 800 milhões).
- R$ 1 bilhão para quitação de dívidas: Recursos destinados exclusivamente para honrar o Plano de Recuperação Judicial e débitos tributários, reduzindo o passivo bruto.
- R$ 500 milhões exclusivos para o futebol: Aporte direto em dinheiro para a contratação de novos jogadores e folha salarial qualificada ao longo de cinco anos.
- R$ 120 milhões para o CT profissional: Investimento obrigatório, diluído em dez anos, para modernizar e ampliar o centro de treinamento do time de cima.
- R$ 30 milhões para a base: Verba que sai do bolo de cobertura do rombo para reformar as estruturas de formação de atletas em apenas dois anos.
O contrato de venda estabelece que o prazo limite estipulado pela Justiça para que todos os trâmites burocráticos sejam vencidos e o investidor assuma o controle definitivo é o dia 30 de setembro de 2026.
Quem é Marcos Lamacchia e qual a garantia do negócio?
Marcos Lamacchia é filho de José Roberto Lamacchia, fundador da Crefisa, e enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras. Formado em administração nos Estados Unidos e especialista em direito empresarial, o executivo de 47 anos comanda de forma independente a gestora de fundos Blue Star.
Como garantia de que todos esses bilhões prometidos serão pagos de fato, o próprio pai do empresário entrou no negócio como avalista, colocando todo o seu patrimônio pessoal como garantia jurídica do contrato.
Para dar total segurança contra novas crises, a Vasco SAF contará com mecanismos de proteção no estatuto. O novo controlador do futebol fica proibido de retirar lucros ou distribuir dividendos por dez anos, garantindo que qualquer receita gerada volte para o próprio departamento. Caso o grupo investidor atrase ou descumpra as metas de aportes programadas, há a previsão de aplicação de multa punitiva de 60% sobre o valor das notas promissórias.

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