O processo de venda da Vasco SAF ganhou um obstáculo inesperado nos corredores da 4ª Vara Empresarial da Capital do Rio de Janeiro. Um grupo formado por oito credores trabalhistas do Vasco, composto por sete atletas e um membro de comissão técnica com passagens por São Januário, protocolou uma manifestação formal de oposição ao formato desenhado para a transferência do futebol à Nova SAF, solicitando a paralisação emergencial dos trâmites por até 30 dias.
A lista dos credores reúne profissionais que defenderam a agremiação cruz-maltina em diferentes épocas e cobram pendências financeiras antigas de gestões passadas. Entre os atletas que assinam a ação estão o atacante William Barbio, o zagueiro Breno, os defensores Luiz Gustavo, Douglas Silva e Lucas Kal, além dos volantes Willian Maranhão e Lucas Siqueira, acompanhados pelo preparador físico Flávio de Oliveira.
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O que os ex-jogadores do Vasco estão questionando na Justiça?
Ao contrário do que parece em um primeiro momento, os profissionais deixaram claro na petição que não são contra a entrada de novos investimentos. O principal questionamento do grupo gira em torno da destinação do dinheiro da venda: eles apontam que a oferta apresentada prevê que todo o montante seja injetado unicamente no futebol, sem reservar fluxo financeiro para amortizar as dívidas do passado, o que violaria as regras aprovadas na recuperação judicial.
Na visão dos advogados que representam os atletas, esvaziar a estrutura devedora e repassar jogadores, contratos e receitas para a chamada Nova SAF deixará a gestão anterior sem seu principal gerador de receita. Em termos simples, o temor é que seja criada uma empresa limpa e competitiva, enquanto a estrutura antiga fique sem recursos de bilheteria e patrocínios para pagar as dívidas trabalhistas.
Transparência exigida e o pedido de paralisação
Outro alerta pesado feito pelo grupo envolve a ausência de documentos técnicos para analisar a transferência de ativos, a falta de avaliações independentes e a necessidade de comprovar o impacto da operação nos pagamentos futuros. Os credores também exigem que o futuro investidor pague a compra obrigatoriamente em dinheiro vivo, mediante depósito judicial, impedindo qualquer tentativa de abater créditos antigos em troca de ações.
Com base nesses pontos, os oito credores solicitaram uma liminar para congelar a fase decisória da venda da nova sociedade por 30 dias ou até a convocação de uma nova Assembleia Geral de Credores. A diretoria liderada pelo presidente Pedrinho e o corpo jurídico do Vasco preparam os esclarecimentos necessários para demonstrar ao tribunal que o plano cumpre a lei e não trará prejuízos aos antigos funcionários.

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