O Vasco protocolou uma petição oficial na 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, na madrugada desta quarta-feira (19), informando que consumiu integralmente os R$ 40 milhões líquidos obtidos por meio do primeiro financiamento DIP (Debtor-in-Possession) junto à gestora Almirante, do empresário Marcos Lamacchia. Com a comprovação dos gastos anexada aos autos, o clube reforçou o pedido de urgência para que a magistrada responsável pelo processo de Recuperação Judicial autorize uma nova operação de crédito no valor de até R$ 150 milhões líquidos com o mesmo parceiro financeiro.
A manifestação jurídica apresentada pelo clube atende à exigência legal de transparência após a decisão judicial que havia condicionado novos endividamentos à entrega do relatório preliminar de auditoria. Diante da prestação de contas protocolada, o departamento jurídico cruz-maltino solicitou formalmente que a Justiça reconheça o cumprimento integral das determinações de fiscalização, mantendo a documentação e seus comprovantes sob a análise da Administração Judicial, dos peritos (watchdog e gatekeeper) e do Juízo.
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Destinação dos recursos: confira a lista de pagamentos efetuados pelo Vasco
Na prestação de contas minuciosa entregue ao tribunal, o Vasco detalhou que os R$ 40 milhões foram distribuídos para estancar passivos imediatos, manter as operações em dia e cumprir acordos institucionais. Os valores cobriram as seguintes frentes:
- Folha salarial e tributos: Quitação integral da folha de pagamento de atletas e funcionários, além do recolhimento de impostos que se encontravam vencidos;
- Obrigações da Recuperação Judicial: Pagamento de parcelas destinadas a credores trabalhistas, credores quirografários e débitos com micro e pequenas empresas;
- Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD/CBF): Cumprimento de obrigações previstas nos planos de pagamento coletivo cível e trabalhista em andamento no órgão da CBF;
- Operação do futebol profissional: Despesas correntes da estrutura esportiva, contratação de novos jogadores, pagamento de luvas contratuais e bonificações por metas.
A necessidade dos R$ 150 milhões para a janela e o Z4
A insistência na liberação rápida do aporte de até R$ 150 milhões é tratada internamente como uma questão vital de sobrevivência esportiva e de liquidez para a Vasco SAF. O clube ocupa a 19ª colocação na tabela do Campeonato Brasileiro e corre contra o fechamento da janela de transferências da CBF para viabilizar as contratações solicitadas pelo técnico Pedro Emanuel.
O planejamento financeiro do futebol prevê que a maior fatia desse novo montante seja direcionada para o pagamento das parcelas de entrada na compra de direitos econômicos de reforços de peso. Sem essa autorização, a diretoria terá o poder de investimento podado e será forçada a recorrer a um mercado alternativo, focando estritamente em atletas livres ou oportunidades de empréstimo sem custos imediatos.

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