O ambicioso projeto para financiar a tão aguardada reforma de São Januário virou um grande e complexo problema no fechado mercado imobiliário da cidade do Rio de Janeiro. O Vasco colocou à venda um total expressivo de 280 mil metros quadrados em potencial construtivo pelo montante de R$ 500 milhões, visando captar recursos milionários da iniciativa privada para as obras. O clube cobra aproximadamente R$ 1,7 mil por cada metro quadrado, um valor inferior aos R$ 2 mil que normalmente são praticados na região. Apesar do valor atrativo estipulado, a diretoria esbarra fortemente na dificuldade de encontrar um único investidor com fôlego financeiro disposto a fechar o gigantesco negócio imobiliário.
Aprovada durante o ano de 2024 na gestão do atual prefeito Eduardo Paes, a operação urbanística inédita prevê a ampliação da capacidade do histórico estádio de 22 mil para 47 mil torcedores. O projeto planeja transformar o antigo local erguido em 1927 em uma arena multiuso moderna, abrigando novas arquibancadas, ampla estrutura coberta para shows, áreas comerciais integradas e a requalificação urbana completa do entorno no bairro de São Cristóvão. Sem a conversão urgente desses créditos construtivos acumulados em dinheiro vivo, o cronograma para o início das obras estruturais segue totalmente indefinido e paralisado nos bastidores.
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Intermediário afasta empresas e prejudica negócio do Vasco
Pressionado pela forte necessidade de levantar recursos imediatos no caixa, o Vasco assinou um contrato de exclusividade com a empresa SOD Capital, liderada na época pelo empresário Wilson Borges. O acordo transferiu a pesada responsabilidade de estruturar a operação e encontrar compradores interessados diretamente para a intermediária contratada. No entanto, o mercado de construção civil apontou a reputação do executivo como o principal entrave para a negociação avançar com segurança jurídica, afastando parceiros mesmo com o término do prazo contratual oficial ocorrendo no mês de fevereiro.
Diante do grave impasse nas contas do Vasco, o poder público municipal chamou para a mesa grandes incorporadoras como Tegra, Cyrela e Patrimar, além de representantes do Sinduscon e da Ademi, para debater soluções comerciais viáveis. Durante as negociações diretas, as autoridades prometeram enviar um projeto de lei ampliando as áreas da Barra da Tijuca e de Jacarepaguá onde os créditos poderiam ser aplicados pelas corporações construtoras. A contrapartida exigida pela prefeitura para editar o novo decreto seria a garantia inegociável de que os 280 mil metros fossem comprados integralmente no mercado carioca.

Divisão de lotes gera forte rejeição imediata no setor
A sugestão política de fatiar o enorme volume do Vasco entre diversas construtoras concorrentes sofreu rejeição unânime imediata. Os empresários alegam que o mercado imobiliário não atua com sistema de consórcio ou tabela de preços compartilhada para adquirir potenciais construtivos e lotes ao mesmo tempo. Um CEO presente nas intensas reuniões com a prefeitura confirmou a inexistência de interessados em assumir a totalidade da área e criticou a proposta de divisão dos créditos:
“Construtoras não se reúnem. Nós não somos como as empresas de ônibus que se juntam para falar de preço. Como vou comprar um negócio que sei que meus colegas de incorporação vão estar fazendo ao mesmo tempo?”

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