O Vasco registrou o seu pior público no estádio de São Januário desde 2022 ao levar apenas 3.524 torcedores pagantes na vitória por 3 a 0 sobre o Barracas Central, pela última rodada da fase de grupos da Copa Sul-Americana. A partida foi marcada pelo boicote de “público zero” incentivado pelas torcidas organizadas. O ambiente de protesto estendeu-se do primeiro ao último minuto, com arquibancadas vazias que permitiam ouvir nitidamente xingamentos direcionados ao elenco profissional desde o momento da subida dos atletas ao gramado carioca.
A impaciência gerada pelas três derrotas consecutivas na temporada e a proximidade com a zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro pesou no comportamento do público presente. O volante Tchê Tchê, improvisado na lateral direita devido aos desfalques médicos, foi um dos principais alvos de contestação e recebeu vaias em seus primeiros toques na bola. O clima de insatisfação na Colina Histórica permitiu que cerca de 70 torcedores do clube argentino fizessem festa e fossem ouvidos na etapa inicial, sendo abafados apenas pelos gols de Adson e pela expulsão do defensor Insúa.
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Cânticos irônicos da torcida do Vasco
A melhora técnica do time antes do intervalo fez a torcida ensaiar um apoio e aplaudir a descida dos jogadores profissionais para o vestiário. Tchê Tchê participou diretamente da jogada do segundo gol ao cruzar a bola que resultou no rebote aproveitado por Adson, engatando uma boa exibição individual. O lance motivou parte do estádio a entoar um canto irônico repetindo:
“Ão, ão, ão, o Tchê Tchê é Seleção”, antes de o atleta ser substituído aos 11 minutos do segundo tempo debaixo de novas vaias e xingamentos.
O momento de maior vibração coletiva aconteceu com a notícia do gol do Audax Italiano contra o Olimpia no Paraguai, resultado parcial que recolocava o Vasco na liderança direta do Grupo G. As arquibancadas cantaram alto e demonstraram a importância da Copa Sul-Americana, criticando nos bastidores o planejamento do diretor de futebol Admar Lopes, que escanteou o torneio desde o início do ano.
A festa durou pouco tempo, pois a reviravolta dos paraguaios confirmou a equipe cruz-maltina na segunda colocação, obrigando o elenco a disputar os playoffs da competição.

Pênalti perdido e trégua desfeita
O centroavante Brenner foi outro personagem central do confronto ao ser acionado no segundo tempo pelo técnico Renato Gaúcho, ouvindo forte incômodo do público por conta do seu histórico recente de gols perdidos desde a gestão de Fernando Diniz. O placar já resolvido por 3 a 0 deu a oportunidade de o atleta quebrar o jejum de um mês e meio sem marcar gols após o árbitro assinalar pênalti por um toque de mão do defensor Jappert. Em um símbolo de trégua para recuperar a confiança do reserva, o estádio gritou em peso o nome do centroavante para realizar a cobrança da penalidade máxima.
O jogador cobrou fraco e desperdiçou a chance, registrando o seu segundo pênalti perdido com a camisa cruz-maltina e disparando uma nova onda de xingamentos pesados nas arquibancadas. Apesar de o time receber gritos de “olé” nos minutos finais da partida pelo placar elástico, a descida final dos atletas profissionais rumo ao vestiário foi abafada por novas vaias. O grupo se reapresenta no centro de treinamento de olho no duelo de domingo contra o Atlético-MG, pelo Campeonato Brasileiro, partida que já possui ingressos de arquibancada totalmente esgotados pela torcida vascaína.

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